CONVERSAÇÕES COM R.F. LUCCHETTI: UM LIVRO E DOIS PERSONAGENS

Este lançamento da Editora Verve não é um livro no formato tradicional. É um documento biográfico de dois personagens: o entrevistado, Rubens Francisco Lucchetti, cheio de histórias para contar, e seu entrevistador, Rafael Spaca, pesquisador apaixonado por cinema.

11091349_1107653159260805_416175437_naR.F.Lucchetti – Um de seus livros – “Noite Diabólica” – publicado em 1963 é considerado “o primeiro livro de Terror escrito no Brasil”. Manteve correspondência, nas décadas de 1960 e 1970, com os críticos e pesquisadores Vasco Granja (de Portugal) e Luis Gasca (da Espanha).

Colaborou, durante muitos anos, no jornal “A República” (de Lisboa), nas revistas portuguesas “Celuloide”, “Plateia” e “Tintin”, e na revista norte-americana “CTVD: Cinema – Tv – Digest”. Em 1966, poucos meses após haver se mudado para a cidade de São Paulo, iniciou uma parceria com o cineasta José Mojica Marins, para o qual escreveu quase duas dezenas de roteiros de longas-metragens e, entre outras coisas, os scripts dos programas de tevê “Além, Muito Além do Além” e “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”.

Com o ilustrador, desenhista e quadrinhista Nico Rosso criou diversas revistas de histórias em quadrinhos (“A Cripta”, “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, “Zé do Caixão no Reino Terror”, “A Sombra”, entre outras), que renovaram os quadrinhos brasileiros de horror. Entre junho de 1968 e julho de 1970, foi redator-chefe da revista “Projeção”, destinada aos exibidores cinematográficos.

No final da década de 1960, criou três revistas pulp: “Série Negra”, “Aventura” e “Mistério e Mistérios”. Criou, em 1970, para a Editora Prelúdio, que estava em sérias dificuldades financeiras, diversas revistas masculinas em pequeno formato: “Mulheres em Preto e Branco”, “Mulheres para Fim de Semana”, “Mulheres Só para Homens”, “Show de Mulheres” e “Show Girl”. De 1972 a 1981 foi um dos editores da Cedibra.

Por intermédio de José Mojica Marins conheceu, em 1977, o cineasta Ivan Cardoso, para quem escreveu os roteiros dos filmes “O Segredo da Múmia”, “As Sete Vampiras”, “O Escorpião Escarlate” e “Um Lobisomem na Amazônia”. Na década de 1980, escreveu roteiros para “Calafrio” e “Mestres do Terror”, dois gibis de terror publicados pela Editora D-Arte, de Rodolfo Zalla. Em 2014, a Editorial Corvo, uma empresa do grupo Editorial ACP, lançou a Coleção R. F. Lucchetti, que irá publicar quinze de seus livros. O primeiro título da coleção é “As Máscaras do Pavor”.

Atualmente, está escrevendo um roteiro de longa-metragem: “O Lago das Mortas-Vivas”, cujas protagonistas, cinco jovens zumbis, aterrorizam uma pequena cidade do interior do Brasil.

Rafael Spaca – Radialista e Produtor Cultural. Editor-fundador do blog Os Curtos Filmes, no “ar” desde agosto de 2008. Curador das mostras/projetos ‘Loucos por Cinema’, ‘As 70 Almas de Zé do Caixão’, ‘Pelé, o 10 no Cinema (Sesc Santo André) e ‘Viva Mazzaropi’, ‘Filmografia’, ‘Neville D’Almeida – Além Cinema’ (Sesc Santo Amaro). Colaboração em textos e artigos para ‘Bigorna.net’; ‘Revista de Cinema Caipira’; ‘Jornal do Cinema – Cineclube Cauim’, ‘Punctum’, ‘Folha de Batatais’, ‘interrogAção’, ‘Revista Moviola’, ‘Memória Futebol’; ‘Revista Sexus’; ‘Revista da Cásper Líbero’ e ‘InComunidade’ (Portugal). Autor dos livros ‘Curtametragem – Compilação de Ideias e Entrevistas do blog Os Curtos Filmes’ e ‘Conversações com R.F.Lucchetti’ (ambos pela Editora Verve). Integrante do Conselho Editorial da Revista Acrobata (PI). Apresentador e produtor do programa Zootropo (TV Cronópios).

DSC_0103aEntrevista com Rafael Spaca

Como é que você “descobriu” o Lucchetti?

Eu descobri o Lucchetti numa reportagem do jornal O Estado de São Paulo. Eu li uma matéria sobre ele e descobri que era apaixonado por máquinas de escrever. Esse fato acabou chamando mais a minha atenção do que a própria obra dele. Então comecei a pesquisar a respeito. Isso no tempo em que a internet ainda estava engatinhando. Foi quando eu tive os primeiros contatos com a sua obra que é fantástica. Eu sempre me interessei pela história do cinema nacional e comecei a me interessar cada vez mais pela história do Lucchetti. Descobri muita coisa sobre ele. Até que em 2007 eu fiz um projeto para o SESC Santo André chamado “As 70 Almas do Zé do Caixão”, em comemoração aos 70 anos do ator e diretor José Mojica Marins, e esse foi um pretexto para contratar o Lucchetti para dar uma oficina de roteiro.

E como é que foi esse trabalho?

Bom, como ele não tinha um site e nenhuma outra fonte de referência virtual, eu fiz um trabalho de pesquisa jornalística indo atrás das pessoas que o conheciam e demorei quase um mês para conseguir chegar até ele. Quando consegui o contato dele e telefonei para a sua casa ele ficou impressionado com o volume de informações que eu tinha a respeito da sua pessoa e da sua obra. Expliquei pra ele que minha pesquisa já vinha sendo desenvolvida há algum tempo e que eu me sentiria muito honrado em conhecê-lo pessoalmente e que nós gostaríamos muito de que ele participasse do projeto dando essa oficina de roteiro para incentivar as pessoas a se interessarem pela atividade de “contar histórias”.

Onde foi realizada essa oficina?

Em Santo André nós montamos um cenário num cemitério e ele gostou muito da ideia. Afinal, toda sua obra literária e seus roteiros cinematográficos sempre contam histórias de terror. Ele gostou bastante, mas ficou decepcionado com o nível intelectual das pessoas que participaram da oficina. Então nos propusemos a encontrar uma forma de reverter esse cenário. Dali em diante nossa amizade só se fortaleceu. Um ano depois, em 2008, eu o visitei lá em Jardinópolis. Nós temos um amigo em comum, o diretor de cinema José Adalto Cardoso, que estava com um projeto do Museu do Cinema e me chamou para ajudá-lo na elaboração desse projeto. Como ele mora perto de Jardinópolis, fomos visitar o Lucchetti.

E a ideia do livro?

Bom, a visita ao Lucchetti foi muito legal, fui muito bem recebido e desde então começamos a trocar muitas cartas. Como ele não tem muita intimidade com os meios eletrônicos, trocamos cartas mesmo, pelo correio. Eu mandava uma lista de perguntas e ele me respondia sempre com muita paciência e boa vontade. E foi assim que começamos a organizar as ideias que acabaram compondo o livro. O objetivo era exatamente salvaguardar a memória de todo o seu trabalho. Foi um processo que durou um bom tempo e que acabou se transformando num projeto que não é necessariamente uma narrativa, mas sim uma sucessão de entrevistas onde ele mesmo conta a sua trajetória. No ano passado eu acabei juntando e editando todo esse material, mais ou menos uns seis anos de correspondência, e finalmente a ideia do livro tomou corpo. E agora ele está aí para que as pessoas possam conhecer melhor a história desse homem que dedicou toda a sua vida e todo o seu talento a contar histórias que povoam o seu imaginário.

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