Jorge Negretti, trinta anos de adrenalina

No cenário das competições off-road no Brasil, Jorge Negretti é um piloto que dispensa apresentações.

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Começou disputando provas de Motocross, modalidade onde conquistou 10 títulos nacionais e se tornou um ídolo das torcidas. Com o passar do tempo foi incorporando manobras de FreeStyle ao seu repertório nas pistas e acabou migrando definitivamente para o espetáculo das manobras nas rampas. Desenvolveu uma estrutura de rampas móveis, montou uma equipe e hoje percorre as cidades brasileiras exibindo toda a sua habilidade praticando manobras emocionantes, que provocam reações entusiasmadas do público. Encontramos com Jorge Negretti em sua casa em Bragança Paulista, reviramos seu baú de troféus e gravamos este papo descontraído sobre a sua trajetória de trinta anos como profissional das pistas.

Jotta – Você começou sua carreira disputando provas de Motocross e aos poucos foi acrescentando manobras à sua performance. Como foi que a coisa evoluiu definitivamente para o FreeStyle?
Jorge Negretti – Bom, foi uma evolução natural. Os saltos dos obstáculos das pistas de Motocross foram realmente as primeiras manobras mais radicais que a gente fazia. Com o passar do tempo, essas manobras passaram a ser cada vez mais interessantes e a minha carreira acabou tomando esse rumo definitivamente. Eu tive sorte, nessa evolução consegui fazer um negócio diferente do que estava sendo feito. A rampa móvel que eu desenvolvi foi uma novidade no começo do FreeStyle. Com isso eu consegui estender o meu tempo de vida no esporte, porque ser piloto aqui no Brasil é difícil. Foi numa época em que eu já estava ficando cansado, o Motocross exige muito preparo físico, muita dedicação, muito treino, e essa rotina já estava ficando pesada. E peguei o FreeStyle começando ainda, numa época em que ninguém sabia direito o que era aquilo.

Jotta – Nesses trinta anos de acrobacias sobre as motos você já viveu diversas fases na carreira. O que mudou na sua vida com essa transição total para o FreeStyle?
Jorge Negretti – Ah, mudou muita coisa, as motos, as competições, a rotina de treinamento, os eventos, tudo mais sofisticado. O desenvolvimento que o FreeStyle teve nos últimos cinco anos é um absurdo. Eu cheguei a pensar que o esporte não tinha mais o que evoluir em termos de manobras. E quebrei a cara com esse pensamento! Por que a cada ano que passa, quando eu acho que já vi tudo, que não tem mais o que fazer com a moto, os caras vão lá e inventam novas manobras tiradas não sei de onde. Trinta anos é uma vida em cima da moto, tem muita história pra contar! Eu comecei na época do Paraguaio, Nivanor, Moronguinho, pilotos que eram meus ídolos, minha referência, depois vieram os gringos… Eu acho que tive muita sorte, fui muito feliz na minha trajetória, por que vivi Motocross, Supercross, Arenacross, Aliás, Supercross foi uma modalidade que eu lancei aqui no Brasil. Acho que sou o único piloto no Brasil que acabou chegando ao FreeStyle por esse caminho, do Supercross. Eu disse que lancei, mas na verdade fiz parte do grupo dos primeiros pilotos que começaram a praticar manobras mais radicais na pista. Um dos pilotos que mais incentivou essa atividade na época foi o americano Rodney Smith. A primeira prova de Supercross no Brasil foi disputada no Motosport Arena Park, em 1985/86, por aí, e veio até um gringo para participar. Os obstáculos eram umas “mesas”, uns “duplos”, todos muito técnicos, bem dentro do padrão internacional. Até o estilo foram eles que trouxeram na bagagem e com isso inovaram muita coisa no esporte. Por isso eu me sinto orgulhoso, por ter tido o privilégio de participar da chegada dessas modalidades ao Brasil, o Supercross, o Arenacross e o FreeStyle.

Jotta – Quantos, e quais, títulos você tem na sua carreira?
Jorge Negretti – Então, Jotta, eu digo sempre que já comi muita poeira, mas também já fiz a galera engolir muita poeira. Já ganhei muitos títulos. Títulos brasileiros, somando Motocross, Supercross, 125cc e 250cc, foram 10 títulos: 3 no Supercross, 3 no Motocross 125 e quatro campeonatos no Motocross 250, todos na categoria profissional. Ganhei também Sul-Americano, Latino Americano, alguns torneios fora do Brasil, fui 9 vezes Campeão Paulista , Campeão dos Campeões aqui no Brasil, 2 vezes Campeão Catarinense, a lista é grande!

Jotta – Qual foi a experiência internacional mais marcante que você teve?
Jorge Negretti – Olha, eu já viajei tanto que não tem uma especificamente que possa ser destacada. Foram vários episódios, que hoje são até engraçados, mas que na hora foram complicados. Na época do Motocross ainda, várias vezes eu levei a moto desmontada na mala. Uma vez, no Perú, disputando um Latino Americano, eu não tinha onde montar a moto e acabei montando no próprio quarto do hotel, no quinto andar. E daí pra descer a moto? Descemos com a moto em pé no elevador! Foi uma experiência muito legal.

Jotta – E como é que está a sua atividade hoje?
Jorge Negretti –Está muito legal! Eu estou vivendo um momento muito especial. Primeiro, porque, como sempre falo, eu estou “no bônus”, sou um atleta com 30 anos de carreira e ainda na ativa. Em 2012 nós fizemos um evento na final do campeonato paulista de futebol, no Estádio do Morumbi. Isso foi histórico: andar de moto num estádio de futebol lotado com 40.000 pessoas e provocar uma grande reação, uma grande vibração com as nossas manobras. Isso no chamado “país do futebol”. Acho esse fato muito importante para o motociclismo, tão injustamente crucificado. Então, acho que conseguimos fazer durante todos esses anos um trabalho com o FreeStyle mostrando muito profissionalismo na prática de um esporte que tem muita beleza, muita plasticidade na realização das suas manobras. É um espetáculo envolvente. E, acima de tudo, emocionante, acho que esse é o grande apelo, o grande diferencial do FreeStyle: a emoção! E hoje grandes empresas investem no esporte. Não apenas um fabricante, mas várias empresas até mesmo de outras áreas incentivam e promovem essa atividade. E isso está acontecendo por que nós conseguimos construir essa imagem do esporte. Por isso, eu falo que pra mim é um momento especial e que estou vivendo com muita intensidade como sempre.

Jotta – Lá no começo há 30 anos atrás, você imaginava que as coisas iriam acontecer desse jeito?
Jorge Negretti – Nada, nunca imaginei! Meu caminho tomou esse rumo, do FreeStyle, quando criei a rampa móvel como uma alternativa, uma atividade paralela ao mundo do Motocross. Eu sentia necessidade de continuar trabalhando no esporte e estender para outras modalidades dentro do segmento, uma modalidade que fosse mais um espetáculo do que propriamente uma competição. Mas nunca imaginei que fosse dar tão certo assim.

Jotta – E essa vida de empresário agora – administrando equipe, agenda de shows, contratos, contatos com patrocinadores e organizadores de eventos, uma correria também cheia de manobras fora das pistas – atrapalha a vida do piloto?
Jorge Negretti – Confesso que é difícil administrar as duas atividades. Administrar uma equipe é super importante, mas é a parte mais chata, pode ter certeza. A melhor parte é quando você está em cima da moto ali em contato com o público. O carinho do pessoal realmente é muito grande. Eu sempre falo que o carinho que recebo é maior do que mereço. Mas, essa história de administrar reuniões e fazer a coisa andar nos eixos, legalzinho, não é fácil, não! A adrenalina está na pista!

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Obrigado e parabéns pelos trinta anos de pista, Negretti!

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