PROFISSÃO: PERIGO!

Equilibrando a vida e driblando a morte

Vamos refletir um pouco sobre o trabalho dos motoboys, um tema bastante polêmico e controvertido. Com certeza, essa atividade ainda não foi analisada com o devido cuidado nem compreendida na medida de sua real importância. Imagine São Paulo sem motoboys. O ritmo da sua vida e, principalmente, da realização de seus meganegócios, seria drasticamente reduzido. Ou não?

Eles fazem de tudo: entregam correspondência; levam e trazem encomendas; transportam contratos, pagamentos e mais uma extensa lista de documentos importantes; são portadores de mensagens, de flores e de uma infinidade de pequenos objetos (desde peças de reposição para oficinas mecânicas até componentes de informática); são os “garçons” dos restaurantes e das pizzarias que mantêm serviço de entrega em domicílio; enfim, agilizam o fluxo da vida da cidade sempre “driblando” a confusão do trânsito com suas máquinas encapetadas.

Mas, por outro lado, realmente se tornaram um problema no trânsito de São Paulo. São os campeões das estatísticas de mortes no trânsito e protagonistas de uma guerra sem tréguas no trânsito travado da cidade. Driblam a morte em cada esquina.

E essa profissão, que tem tamanha importância na realização efetiva da vida comercial da cidade, ainda não mereceu uma legislação específica e muitas vezes é vista apenas como um bico para desempregados de outras áreas, que acabam assumindo o risco de “viver perigosamente” para garantir a própria subsistência sem ter a noção exata desse perigo nem habilitação adequada. Hoje eles totalizam “muitos mil” profissionais – de uma profissão cuja regulamentação não consegue sair do papel e sem nenhum tipo de amparo legal – a rodar pelas avenidas, becos, vielas e onde mais for necessário. Ninguém ainda pensou que, talvez uma medida simples e prática – definir objetivamente o perfil dessa profissão e estabelecer a sua efetiva regulamentação junto ao Ministério do Trabalho -, possa ser eficaz na redução nos números das estatísticas, talvez até na mesma medida de outras propostas, como a de se construir corredores exclusivos para motos como o que existe na Av. Sumaré. Como? Eu explico.

Um dos dados que mais me chama a atenção nas notícias dos acidentes de trânsito envolvendo motoqueiros, é a causa do acidente, aliás, um dado poucas vezes divulgado. E já foram muitos os casos que eu li, onde a causa do acidente era “colisão contra a traseira de um caminhão”. Ora, convenhamos, ou é muita falta de habilidade ou absoluta falta de atenção do piloto, duas situações que caracterizam a necessidade de se começar a pensar também em soluções para as causas desses acidentes ao invés de ficar apenas lamentando-os e contabilizando os prejuízos e as vidas perdidas. Outro estudo promovido pela Secretaria Municipal de Transportes mostra que 28% dos motoboys envolvidos em acidentes não têm QUALQUER TIPO DE HABILITAÇÃO. Essa é, sem dúvida, uma das principais causas do problema. Melhorar o nível da formação dos motoboys, dando-lhes um perfil reconhecidamente “profissional”, como um motorista de táxi, ônibus ou carreta, por exemplo, é uma atitude que, para ser tomada, requer apenas um pouco de boa vontade e ação das pessoas responsáveis por esses afazeres burocráticos. A partir dessa regulamentação, só poderão pilotar motos de entrega, quem for habilitado especialmente para isso.

Só assim essa profissão, cujo ingrediente principal é a exposição diária e constante ao perigo, ganhará dignidade e terá sua importância avaliada e reconhecida. Daí, talvez, as pessoas passem a olhar esse serviço realizado pelos motoboys, não mais apenas com um “mal necessário”.

Taí uma sugestão para ser analisada e discutida por todos os interessados.
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