ON THE ROAD (PÉ NA ESTRADA) – JACK KEROUAC

ON THE ROAD (PÉ NA ESTRADA) – JACK KEROUAC

Nosso personagem desta crônica é o escritor Jack Kerouac e sua obra mais representativa: “On the Road”on_the_road___pe_na_estrada_9788525422965_9788525413208_hdDa mesma forma que o rock’n’roll quebrou as tradições musicais e propôs uma nova estética em que o barulho, a “sujeira” do som, tinha tanto a ver com o resultado final quanto a harmonia, a literatura produzida pelos integrantes da “Geração Beatnik” também subverteu a maneira tradicional de escrever e propôs uma nova linguagem narrativa e uma nova abordagem na análise da condição humana. Esses autores tomaram como exemplo suas próprias vidas, dúvidas, desassossegos, pânicos, revoltas e angústias, mostraram seu lado “selvagem” e anti-social de viver, e produziram obras marcantes e cheias do mesmo vigor da batida, da “beat” do rock.

Ambos, rock e beatnik, são carregados da mesma “vibe” rebelde contra os valores estabelecidos. Ambos são viscerais e expõe o nervo do dente. Machucam, contestam e propõem novos valores. Por isso, revolucionaram e provocaram uma transformação tão marcante no comportamento das pessoas no mundo inteiro.

Jack Kerouac e “On the Road”

Jean-Louis Lebris de Jack Kerouac nasceu em 12 de março de 1922 em Lowell, Massachussetts, de origem franco-canadense. Quando Kerouac ingressou na universidade sua intenção era seguir a carreira esportiva e se tornar um astro de futebol americano. Mas, depois de amargar um longo tempo mofando no banco de reservas da equipe, convenceu-se de que não levava mesmo jeito pra coisa e desistiu da idéia. E também não conseguiu segurar a onda dos estudos: ele e o poeta Allen Ginsberg, seu companheiro de vida e aventuras, foram expulsos por mau comportamento e acusados de “baderna”.

Nessa época, influenciado pelo comportamento de outro jovem do grupo, William Burroughs, começou a se interessar mais pela literatura clássica americana e pelos livros de escritores europeus como Kafka e Rimbaud. Foi também quando conheceu Neal Cassady, que se tornaria seu grande amigo, parceiro de “viagens” e personagem de seus livros. Jack Kerouac e Neal Cassady perambulavam juntos pelas ruas de Nova York, carregados de livros, fumando quilos de maconha, observando o comportamento das pessoas e aprendendo a vida nas entrelinhas dos textos que devoravam, sempre insatisfeitos, irrequietos e contestadores.

Em 1957 publicou “On the Road”, livro escrito de maneira compulsiva em 1951, que é considerado até hoje a sua obra prima. Do impulso inicial de escrever a história até o seu ponto final, foram apenas três semanas de trabalho insano, datilografando tudo num grande rolo de papel de telex (estaria ele antecipando os computadores, onde também escrevemos num “rolo” sem fim que vai girando na tela e apresentando sempre novas folhas como num formulário contínuo e infinito?). Ele justificava essa maneira estranha de escrever dizendo que: “…quando escrevo narrativas e quero mudar minha linha de pensamento, eu não preciso parar…”. Dizia constantemente que todos os seus livros faziam parte de uma grande obra que estava em constante crescimento e que cada um deles não passava de um capítulo dessa história comprida que, no futuro, ele pretendia reeditar como um todo.

“On The Road” não é um romance revolucionário em termos de linguagem. Sua grande sacada é o modo como foi escrito. Parece que o autor sentou para escrever ouvindo um disco de solos de jazz (Miles Davis e Charlie Parker eram seus preferidos) e deixou os pensamentos escorrerem da mesma forma que a música era tocada, usando frases longas, improvisadas e sem pontuação. A história conta um ciclo de grandes viagens que Kerouac fez procurando a verdadeira América. De cara conhecemos Dean Moriarty (personagem inspirado em Neal Cassady), guru da geração, rebelde, louco, anarquista, e amante da vida. As aventuras destes dois amigos e de tantas pessoas que eles encontraram no caminho pelas estradas da América fizeram, e fazem até hoje, a cabeça de jovens no mundo inteiro com frases carregadas de inquietude e disposição para descobrir o novo: “Nossas malas estão na calçada de novo. As estradas eram mais longas, mas não importava. A estrada é a vida”.

Jack Kerouac escreveu ainda diversos livros: “Os Subterrâneos”, “Big Sur” (estes editados no Brasil, mas há muito esgotados), “The Dharma Bums”, “O Livro dos Sonhos”, “Viajante Solitário” entre tantos outros, sempre contando histórias de personagens da cultura beat. Morreu em 1969, no mesmo dia do aniversário do músico jazzista Dizzy Gillepsie. A causa da sua morte foi uma hemorragia provocada por uma perfuração no estômago, provavelmente em conseqüência dos excessos com a bebida.

Baseado no romance clássico de Jack Kerouac, Walter Salles (Diários de Motocicleta), dirigiu recentemente a versão cinematográfica da história, ainda sem previsão de estréia.

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