Mike Hailwood

Mike Hailwood
O lendário The Bike
 
Nenhum piloto despertou o imaginário dos amantes do motociclismo da sua época como Mike Hailwood. O britânico tornou-se um mito dentro e fora das pistas
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Hailwood foi nove vezes campeão do Mundo (contra quatro de Eddie Lawson), venceu 76 Grandes Prêmios (31 de Lawson) e ganhou 14 vezes o famoso Tourist Trophy da Ilha de Man. Só que entre 1958 e 1974 (em incríveis 17 temporadas), a única forma de ser campeão na classe-rainha era pilotar uma das MV Agusta oficiais. A supremacia das motos do conde Agusta tornava os seus pilotos em instantâneos favoritos ao título. Hailwood venceu as 500cc por quatro vezes, sempre com as motos italianas.
Não que isto retire brilhantismo à performance, mas Lawson foi o primeiro piloto da História a ser campeão com duas motos diferentes em anos consecutivos (algo que só Valentino Rossi igualou, em 2004). Além disso, ao longo de toda a sua carreira, os únicos rivais de peso de Hailwood foram Giacomo Agostini e Phil Read; Lawson, por outro lado, garantiu o quarto título em 1989 num grid onde estavam Wayne Rainey, Kevin Schwantz, Mick Doohan, Wayne Gardner, Randy Mamola, Ron Haslam… Estes critérios deram uma vantagem – pequena, é certo – a Eddie Lawson. Mas Mike ‘The Bike’ terá sempre lugar no panteão dos Grandes.
Talento natural
Quem era afinal Stanley Michael Hailwood? Para quem o viu correr – de pilotos a engenheiros, de preparadores a jornalistas -, Hailwood foi um dos maiores talentos naturais que o motociclismo já conheceu. Um jovem irreverente vindo de uma família rica – o pai fez fortuna  vendendo motos na Grã-Bretanha – que deixou a escola aos 16 anos para ir trabalhar para a Triumph como simples aprendiz. Alguém que aprendeu a pilotar num terreno de 30 mil metros quadrados onde deixou uma trilha marcada, das voltas que dava aos domingos depois da missa. Um fenômeno que teve sempre as melhores motos que o dinheiro podia comprar… mas que as levava ao limite com o à-vontade dos predestinados.
Hailwood venceu o primeiro Mundial em 1961 (aos 21 anos), com uma pequena firma japonesa chamada Honda. Foi aí que Soichiro Honda ganhou estima por aquele jovem britânico que lhe deu o título de 250cc com a bela Honda RC161 de quatro cilindros. Anos depois, o fundador da Honda perdoou a rebeldia de Hailwood quando este, furioso com o desempenho dos amortecedores da sua moto, atirou-os para dentro de um lago em Suzuka, onde a equipe fazia testes.
Antes disso, Hailwood já tinha sido primeiro piloto a vencer quatro títulos consecutivos de 500cc, na equipe do irascível conde Domenico Agusta, com quem Hailwood se desentendeu por achar que a equipe favorecia Agostini. Mas o verdadeiro testamento do talento de Hailwood se deu quando ele voltou de um retiro de 11 anos (!) para vencer o TT da Ilha de Man.
A essa altura, Hailwood tinha-se retirado para a Nova Zelândia, como tantos outros ingleses, para fugir aos impostos. Em 1978, com 38 anos, Hailwood regressou ao perigoso circuito de Man para vencer com uma Ducati 900SS. No ano seguinte, com uma Suzuki RG500 a dois tempos, ele provou que podia adaptar-se à nova realidade vencendo em Man pela última vez. Imagine-se como foi voltar a pilotar uma moto de GP após uma evolução de 12 anos nos motores, quadros, pneus, equipamento, níveis de aderência, distâncias de freagem, etc. Hailwood morreu dois anos depois num trágico acidente de automóvel – ele correu também na Fórmula-1 –  mas a sua vida é uma das histórias mais fascinantes do esporte motorizado. 
Fonte: Ricardo Araújo/Auto Sport/Portugal
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