Woodstock

Woodstock

Terremoto Cultural

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Texto: Jotta Santana

Durante três dias do mês de Agosto de 1969 (15, 16 e 17), mais de 400 mil pessoas (entre músicos, tribos de hippies e jovens, principalmente estudantes) vindas de todos os cantos da América viveram o maior festival da história do rock. O evento aconteceu numa fazenda de 600 acres, de propriedade de Max Yasgur, em Bethel, Nova Iorque. Foi o “Woodstock Music and Art Fair”.

 

O ano era 1969, o último dos tumultuados anos 60, e a palavra de ordem era a defesa da liberdade de espírito, de idéias e de todas as formas de expressão e manifestação artística, pregada pelos escritores do movimento “beatnik”. A guerra do Vietnã era o alvo principal dessa revolta ideológica da juventude contra o “stablishment”. Depois do Monterrey Pop Festival, do Festival de Altamont e da peça “Hair”, Woodstock viria a ser o grande terremoto a abalar o cenário artístico e cultural norte-americano. E mundial!

O Que Foi Woodstock

Chuva, barro, muito rock ‘n’ roll, maconha, LSD, anfetaminas, heroína, danças, sacos de dormir, meditação, cachorros, granola e amor livre foram as marcas registradas desse festival. “Make Love, Not War” tornou-se o slogan oficial e definitivo.
Os ingressos foram vendidos com antecedência e esgotaram-se.rapidamente. Tudo parecia normal e o sucesso do empreendimento, garantido. Mas, aconteceu um fato absolutamente inesperado para os organizadores. Eles esperavam receber um público de cerca de cinqüenta mil pessoas e montaram uma estrutura de serviços e atendimento adequada a essa previsão. Na semana do festival as pessoas começaram a chegar aos milhares vindas de todas as direções do país, viajando de carro, de moto, de carona, de todas as maneiras. Uma multidão de mais de quatrocentas mil pessoas, que veio disposta a participar ativamente dessa primeira grande manifestação coletiva de contestação e ver de perto a performance de vários rockstars que vinham fazendo muito sucesso onde quer que se apresentassem: “Grateful Dead”, “Jimi Hendrix”, “Jefferson Airplane”, “Janis Joplin”, “Carlos Santana”, “Country Joe and the Fish”, “Joe Cocker”, “The Who”, o indiano “Ravi Shankar”, “Joan Baez”, “Credence Clearwater Revival”, “Ten Years After”, “Blood, Sweat and Tears” e “Crosby, Stills, Nash and Young”.
“Foi mais do que apenas um concerto de rock”, diz Lisa Law, a fotógrafa autora do livro – “Flashing on the Sixties – Quem Esteve no Festival de Woodstock nos dias 15 a 17 de Agosto de 1969”. “Foi muito lindo”, ela continua, “havia barro e lama por todo o canto e as pessoas cantavam suas músicas sem se preocupar com isso. Todo mundo ajudava todo mundo”.
Theodore Roszak, professor de história da Califórnia State University Hayward, aposentado e autor do livro “O Making da Contra Cultura: Reflexos na Sociedade Tecnocrata e seus Jovens Contestadores”, diz que a “sacudida” de Woodstock faz efeito até hoje. “Foi a maior e mais contundente crítica feita por alguém à cultura industrial desde os dias do Romantismo, no século XVIII. Todos os valores que a sociedade cultuava foram questionados. Foi um bom exemplo do impacto que uma imagem forte e dramática pode causar”, completa. 

O Desafio Logístico

Quando os organizadores viram aquela multidão chegando levaram um enorme susto. Nem ingressos havia para tanta gente. Eles tinham que tomar decisões rápidas para acomodar de alguma forma todos aqueles malucos ou a coisa ficaria muito feia. Depois de várias reuniões e considerações, decidiram abrir os portões e transformar o evento num grande concerto “free”, que passou definitivamente a fazer parte da História como uma referência de comportamento.
As pessoas chegaram praticamente todas ao mesmo tempo e os estoques de comida e bebida da cidade esgotaram-se com a rapidez de um raio. Lisa Law reuniu um grupo de voluntários e passou a tentar comprar comida nas cidades vizinhas para alimentar toda aquela gente. “O que antes era um agradável passeio de vinte minutos de carro até a cidade mais próxima, naquele fim de semana passou a ser uma viagem de nove horas”, ela diz. Uma das soluções encontradas foi comprar cereais em grão, aveia em flocos, germe de trigo, uvas passas e outros ingredientes secos, misturar tudo e preparar grandes quantidades de “musly” para suprir as necessidades básicas.de alimentação para tanta gente.
Quando o concerto começou, essa multidão estava espalhada por todas as colinas da fazenda. Além do problema da escassez de comida, a precariedade do sistema de atendimento de emergência montado também provocou tumulto e correrias, não só pelo pequeno número de médicos e pessoal especializado, mas também pela falta de áreas ideais para os procedimentos de emergência que começaram a ocorrer (principalmente “bad trips” de LSD) devido ao alto consumo de drogas. Os hospitais da cidade tiveram que montar esquemas paralelos de atendimento para auxiliar nesse trabalho. A polícia, sem condições de controlar tanta gente junta, passou a fazer vista grossa ao consumo de maconha, mas fez mais de uma centena de apreensões das drogas mais pesadas.
Aconteceram três mortes durante o festival: uma por overdose de heroína, outra por uma crise de apendicite e um outro espectador foi atropelado por um trator. Também foram relatados os casos de dois partos realizados
Foi um acontecimento que ficou marcado para sempre na memória de cada um que teve contato com ele. Como um dos mais eloqüentes símbolos da defesa da liberdade de expressão.

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